4.7.09

Buzios: Geribá! Estamos chegando lá!


( A imagem real e a profecia de um futuro proximo....estamos quase lá )

Há mais de 10 anos atrás o ambientalista ( Fundador do Jornal O Búziano ) Tito Rosemberg disse que Búzios sofreria uma descaracterização muito grande se a especulação imobiliária não fosse contida. Quando disse isso muitos não acreditaram nele e até defendiam as intervenções que estavam sendo feitas na península que acabaram com o verde de nossas praias e topos de morros. Hoje entendemos o que Tito queria dizer e temos que admitir: o Tito estava certo... eu escrevi uma serie de matérias para um jornal pertencente a uma ONG carioca sobre o assunto me 2008, mas acharam que eu estava fazendo muito juízo das coisas. Queriam dizer com isso que eu deveria somente retratar o fatos dos topos de morro estarem tomados de casa mas que eu não deveria atacar e opinar sobre as razões que levaram Búzios a esse estado critico em que se encontra. A foto ao acima é uma produção do Tito de 1995. mostra o bairro e a praia de Gerobá em um futuro próximo...muito próximo pois hoje em 2009 não estamos longe disso. Agora quem vai parar essa invasão de condomínios e resorts em Búzios?

Segue a baixo a matéria que fiz e nunca foi publicada:



O direito a beleza e os topos de morro ( Buzios)Rio de Janeiro é sempre curioso e diferente. O Rio é uma cidade muita bem desenhada com a sinuosidade dos morros e montanhas como uma Grécia tropical. Sempre foi típico na historia que as pessoas com poder e riqueza escolhessem as elevações para construir suas casas, deixando que os camponeses morassem abaixo de seus pés. No Rio, talvez pelo fascínio que temos pelo mar, uma herança lusitana, a elite carioca foi se estabelecendo as margens deste. Em contra partida os empregados e migrantes foram, uma herança quilombola, subindo os morros, e diferente da já citada Grécia, foi se formando as favelas, paisagem tão carioca quanto a imagem do Cristo sobre o corcovado. O território de Armação dos Búzios integra a baixada litorânea fluminense à leste da baía da Guanabara e localiza-se na faixa transitória de inflexão da costa sudeste brasileira. Ocupa uma área estimada em 95 Km, não possui distritos e a ponta dos Búzios, que alguns chamam de península, mas não é, abriga a Cidade de Armação dos Búzios. Esta complexa cidade do interior de população cosmopolita é cercada de morros de baixa elevação, onde afloram uma riquíssima e rara vegetação. Aqui a elites, sejam cariocas, de outros estados ou paises, foram ocupando as margens das praias e cobrindo a visão de quem passa. Da década de noventa para cá se tem observado a rápida ocupação dos morros da cidade. Aqui não se deu como na cidade do Rio, foram as mesmas elites que subiram estes morros, e cada dia o que se vê é a formação de “favelas” de luxo. Os topos de morro têm de ficar livres da ocupação, pois o povo, seja elite, ou sejam pobres, tem direito à visão da beleza, alem de que topos de morros preservados controlam o clima tornando-o agradável com aquele ventinho gostoso que todos o que migram a passeio para a Região dos lagos gostam e prezam. Búzios tem em seu plano diretor, leis muito fortes sobre a proteção do solo, mas este plano diretor tem sido violentado por uma câmara de vereadores despreparada e desinteressada em criar um turismo alto sustentável onde sejam mantidas as características naturais que fizeram de Búzios o lar e o destino de pessoas vindas de todo o mundo. Quando se fala de inclusão social, nunca se pode esquecer que um dos direitos inalienáveis de todo ser humano é o direito a beleza. E seja no Rio ou em Búzios, o cidadão, seja elite, seja popular, tem o direito de andar pela cidade e ver a beleza que há no alto dos morros, ou subir esses morros e ver beleza cheia de horizonte do mar. No alto dos morros cariocas há uma população que tem a vista privilegiada do Rio, mas tem seus horizontes fechados em comunidades onde o estado esta ausente. Em búzios estamos correndo o risco de perdemos nosso horizonte porque uma cidade não é feita só de casas, condomínios e ruas. Em ambas as cidades, na metrópole e na antiga vila de pescadores ainda há topos de morros ou montanhas a serem preservadas e há principalmente a oportunidade de mantermos cidades desenvolvidas, mas abertas à beleza que é de todos.
Victor Viana

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