16.2.14

Stencil é foda!

A prática do Stencil Em Buenos Aires e no Rio/Búzios 




Arte em muro de Buenos Aires 
Em uma viagem de trabalho para cobrir a FIT, Feira Internacional de Turismo na Argentina vinha, como é meu costume, observando os muros e tudo que via escrito ou colado neles. Entre frase pichadas contra Kristina e ao mesmo tempo cartazes oficiais  de apoio a ela, por todo o canto vi a prática do Stencil nos muros de Bueno Aires, assim como também do grafite,  Bansky e Pasting.

Arte feita em muro da  Rasa, em Búzios 

Mas possivelmente o Stencil é a  técnica mais popular na capital argentina. Uma técnica simples, basta ter uma cartolina ou uma radiografia velha, uma tesoura ou estilete, tinta em aerosol e pronto. Tem o mesmo objetivo que a técnica de serigrafia – também conhecida como SILK-SCREEN- posiciona a “tela” recortada sobre o muro e picha por cima do recorte, ao retirar sua mensagem estará no muro.  O stencil não é  desconhecido das capitais brasileiras, como o Rio de Janeiro, onde o grafite é muito mais popular, mas diferente daqui e de outros lugares do mundo em Buenos Aires os artistas que praticam o stencil  estão sendo recebidos de braços abertos caso queiram gravar sua arte nas paredes e muros da cidade. 

"No Brasil como em outras cidades do mundo a pratica é combatida como vandalismo". 

Por parte dos grafiteiros e artistas urbanos em geral buscam praticar sua arte em paredes e muros que não causem danos a terceiros. Buscam casas e prédios abandonados, em demolição, muretas públicas. Muitas ações públicas para incentivar jovens talentos da arte urbana, como são conhecidas na Argentina, estão acontecendo pela cidade e artistas convencionais estão se rendendo as intervenções feitas por esses jovens e os convidando em muitos casos a expor de alguma forma seus trabalhos, antes expostos de forma gratuita nas ruas, agora nas galerias e centros culturais de Bueno Aires.








11.2.14

"O essencial é estar vazio" - Morre Eduardo Coutinho



Principal nome do documentário nacional, Eduardo Coutinho foi assassinado a facadas pelo próprio filho aos 80 anos na última segunda-feira (2), no Rio de Janeiro. Daniel Coutinho, filho do cineasta, sofria de esquizofrenia e esfaqueou o pai e mãe após uma discussão e então, segundo a polícia, tentou se matar.
Diretor de clássicos como Cabra Marcado Para Morrer Edifício Master, Coutinho tinha sérios problemas de saúde nos últimos tempos por causa do cigarro, um vício que não conseguia abandonar. Ele, no entanto, pretendia continuar dirigindo mesmo assim. “Estou preparado para filmar com cadeira de rodas. O Michelangelo Antonioni filmou e o Bernardo Bertolucci faz até hoje. Se precisar filmo até cego, com uma pessoa ao meu lado falando o que está acontecendo. Só acho mais complicado filmar surdo”, confessou em entrevista recente ao site  "AdoroCinema" à época do lançamento de As Canções, um dos seus últimos trabalhos.
O enterro do cineasta aconteceu na segunda-feira (3) na Capela do Cemitério São João Batista, em Botafogo, com a presença de amigos e familiares.


Um amigo e colega de trabalho de Búzios


Por Victor Viana

 

 O Jornalista Raul Sivestre, morador de Búzios, trabalhou por oito anos ao lado de Coutinho no Globo Repórter durante a década de 70, "ele entrou no Globo Repórter um ano antes de mim e ficava muito solto, tinha muita liberdade lá. Coutinho era de cinema, mas sabia encostar-se às pessoas certas, então ficou muito próximo do pessoal da TV e pegou rápido o traquejo. Entre tantas coisas que fizemos juntos posso citar o 'Menino de Brodósqui' sobre o Portinari", relatou.

Raul contou que no plano pessoal Coutinho era reservado, “hoje entendemos que poderia ser em função da doença do filho. No Globo Repórter éramos entre 20 a 30 pessoas e todo mundo conhecia os filhos e as mulheres um dos outros. O Coutinho ninguém via a família, e ele morava há cinco quarteirões da redação", contou, mas ponderou que no ambiente de trabalho era diferente: "Ele tinha um ritual que era chegar de manhã (estava nesse horário sempre mal humorado) e ia para sua mesa que ficava no canto da redação e lia o JB e fumava uns 28 cigarros, sendo que destes de verdade fumava apenas cinco, o restante ele deixava queimando no cinzeiro. Mas no restante do dia ele se transformava: era brincalhão e um amigo bem próximo de todos". 

 

Sobre o tão conhecido vicio do cigarro, Raul conta que Coutinho era o único que fumava nas ilhas de edição do Globo repórter, "fumar era explicitamente proibido naquele ambiente, mas ele fumava e quando alguém tentava dizer a ele que prejudicava a saúde respondia: 'vou morrer como todos vocês também irão', lembra.

 

Coutinho era de São Paulo, mas estava, por força dos muitos anos morando no Rio, adaptado a vida carioca. Mas algo do caráter paulista permanecia nele. Segundo colegas de trabalho ele era metódico e muito sério no momento do trabalho, “chegava a ser chato".

 

Algo inerente ao oficio 

Algo do qual se falou em quase todas as entrevistas com amigos e admiradores de Coutinho foi sobre uma suposta qualidade em criar uma espécie de intimidade com o entrevistado o que levou o amigo Raul Silvestre a comentar: "Se está falando muito sobre isso de que ele sabia criar uma intimidade com o entrevistado, mas isso é dito por quem não entende do métier. É inerente ao ato de entrevistar, em especial para TV e cinema, que se crie uma intimidade entre o entrevistador e o entrevistado. Disso depende a qualidade da entrevista. A grande qualidade do Coutinho era a compreensão bem clara que tinha sobre o que chamamos de 'ideologia da imagem'. Cada Plano tem uma ideologia. Em uma entrevista com Ariano Suassuna usa câmera fixa, assim como usaria em uma filmagem oficial da presidente ou mesmo de uma paisagem. Mas em documentários como o Edifício Máster e outros a câmera está em movimento na mão do cinegrafista porque o valor intrínseco da imagem é mais importante que algum padrão holiudiano. Isso passa a credibilidade da matéria. Além é claro do ineditismo de muito de seus trabalhos: foi quem pela primeira vez no Brasil fez um documentário sem texto, só com depoimentos".


Outras duas características marcaram a trajetória de Coutinho; o seu descomprometimento político, mesmo tendo trabalhado na Globo no período do regime militar. E a sua marca de sempre procurar de alguma aparecer nos filmes e reportagens, o que não é comum em jornalismo e filmes documentais. “Intelectualmente era vaidoso", finalizou Raul.

 Um cabra marcado para ficar na história

Entre os admiradores de Coutinho está o ator Mario José Paz, também proprietário do Gran Cine Bardot, "acho que sem dúvida, repetindo o que está sendo dito por todos, e com razão, perdemos um dos maiores documentaristas do Brasil e do mundo. Coutinho tinha uma visão particular do seu trabalho. Em minha opinião a sua maior característica era o dom de deixar o entrevistado a vontade, criava uma intimidade entre ele e o entrevistado. Criava-se mesmo uma harmonia dificilmente vista", afirmou por telefone. Mario José ainda contou um fato que o marcou da última vez que esteve pessoalmente com Coutinho: “Encontramos com ele em um bar no Jardim Botânico, estávamos eu e a Vilma, minha esposa, e perguntamos a ele quando nos veríamos de novo e ele respondeu: 'terá de ser esse ano, porquê acho que é o meu último vivo'. Ficamos espantados com aquela resposta, mas ele realmente era um fumante inveterado e além disso tinha com certeza uma espécie de clarividência, visto a genialidade de sua obra".
O cineasta Milton Alencar, que mora em Cabo Frio, também lamentou a morte de Coutinho e assumiu ser influenciado por seu trabalho, "Ele foi o precursor de uma categoria cinematográfica, no documentário principalmente, diferente dos outros cineastas do Brasil de hoje. Sem dúvida foi o mais importante dos documentaristas do Brasil nas últimas décadas, era fantástico. Ele estava um cineasta muito requisitado nos últimos tempos. Sempre que eu ia aos festivais e o via estava sempre tendo contato com as pessoas, respondendo perguntas e explicando seu trabalho com muita atenção. Ele inaugurou uma escola de documentaristas, ele vai deixar uma herança. Muitas das minhas coisas são feitas a luz do Eduardo Coutinho. Uma pena que tenha terminado sua vida desta maneira".

Coutinho por ele mesmo

Eduardo Coutinho foi o principal homenageado da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2013. Em uma das muitas entrevistas (a reproduzida aqui durante a Flip) que deu falou sobre a arte de fazer perguntas, algo fundamental há um jornalista e documentarista, e também sobre a vida e a morte:

Da arte de fazer perguntas

O essencial é estar vazio diante do outros, vazio do ponto de vista ideológico, Se colocar entre parênteses, estar vazio mesmo, evitar fazer juízo. Vazio para que possa receber do outro o que ele tem a dar e a dizer, sem que ele seja julgado. Para que ele, o entrevistado, seja legitimado e justificado. Ele não deve saber nunca o que espero dele. Não quero você de esquerda ou direita, bom ou mal. Quero você. Entrevistei uma mulher onde perguntei a ela sobre  a pobreza no Brasil e ela fez um discurso extraordinário contra os pobres. Eu tentei argumentar com ela, como não teve jeito deixei ela falar e ela fez um discurso veemente contra os pobres, que eu não concordo, mas expos o que pensava e ofereceu um vasto conteúdo ao filme. Outro foi no sertão, onde invés de eu perguntar a pessoa me perguntou se eu acreditava em Deus e em vida após a morte. Então eu não disse que não, porque se não a conversa acabaria ali. Então eu fui levando e dizendo que não sabia. Fui dizendo que  gostaria de acreditar... e assim deixei que ele passasse a falar. Isso é importante  (Mesmo que não acredite é preciso não dizer para não estancar a conversa).  É uma questão de como se fala mais do que o que se fala.  Quisera eu acreditar em um deus, em outra vida... eu gostaria de acreditar”.

A linguagem ontem e hoje

 "Estou interessado no momento por isso, como as pessoas usam as palavras, lugares comuns e as expressões. "Minha vida é boa", "Minha família é boa", “Quero estudar”. Por quê? Quero perguntar para as pessoas, por que trabalhar? Para que levantar de manhã? Essas são questões que me interessam e isso uma criança de quatro anos faz. Minha vontade era fazer um filme que uma criança de quatro anos faria. E a morte? Ninguém se pergunta... o que é viver? Questões básicas da vida que ninguém pergunta. Pra que serve dinheiro? Trabalhar pra que? Pra ganhar dinheiro? E para que serve o dinheiro? É certo algumas pessoas terem mais e outras menos dinheiro? As perguntas mais básicas sempre são as mais interessantes".

A origem e autoria das conversas

"Nas filmagens a conversa é essencial. A palavra do outro passa a ser sua e a sua do outro. Há uma coprodução da fala".

O que faz um bom filme e a inexistência da verdade

"Não adianta nada ter um tema maravilhoso e ser um filme ruim. Bom é o filme que faz perguntas, o filme que dá respostas pode jogar no lixo que ninguém suporta. Nem o mais sábio da academia, nem o militante mia fervoroso sabe a verdade de nada".

Sobre a vida e a morte

"A vida é assim, você nasce e morre, é isso. O que se faz entre nascer e morrer? Você vive! Eu não acho que a vida foi bem vivida. Não tenho nostalgia nenhuma e acabou! O que é bem vivida? O médico me perguntou isso uma vez e eu pensei que estava com câncer, mas não era. Nunca eu poderia dizer isso: 'Ah tive uma vida bem vivida'. Esse médico era um filho da puta. Eu pelado e ele me perguntou se eu tive uma vida bem vivida? Eu poderia ter dito a ele que perguntasse a mãe dele. Mas eu não disse, nunca disse as coisas na hora".

Matéria publicada originalmente em O Perú Molhado www.operumolhado.com.br 

7.2.14

Funkeiros de Búzios querem mostrar sua arte


Por Victor Viana

O Funk mobiliza milhares de pessoas na cidade do Rio, mas vai bem além das fronteiras cariocas (Tornou-se celebre no ano passado a artista americana Byonce dançando ao som de Lek lek lek). De Aperibé a São Gonçalo, a cultura funkeira gera frutos por todo o interior do estado.  A Secretaria de Estado de Cultura (SEC) começou a partir do dia 15 de dezembro do ano passado, caravanas para divulgar o *edital de Bailes e Criação Artística no Funk, que recebeu inscrições até o dia 31 de janeiro. O aporte financeiro total é de R$ 650 mil. O edital fornece apoio financeiro de até R$ 20 mil a projetos de produção de bailes funk, e de até R$ 15 mil a projetos de produção musical, circulação artística, audiovisual, memória ou comunicação.

Luzinho Viana 
Equipes da SEC foram a São Gonçalo, Niterói, Belford Roxo, São João de Meriti, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Angra dos Reis, Bom Jesus do Itabapoana, Campos dos Goytacazes, Macaé, Cabo Frio, Petrópolis, Três Rios, Barra do Piraí, Volta Redonda e Barra Mansa. O objetivo era  divulgar o edital.  A Secretaria de Cabo Frio realizou a reunião aos interessados de nossa região. A Secretaria de Cultura de Búzios não participou, segundo o secretário Alexandre Raulino, por ter sido uma ação exclusiva e pontual da Secretaria de Cultura do Estado  com Cabo Frio, "Búzios não foi nem mesmo informado sobre a realização da reunião do edital em Cabo Frio. Foi uma coisa feita entre o estado direto com a prefeitura de lá. Mas é aberto para toda a região e há como os interessados aqui de Búzios se inscreverem pelo site também. Mas é importante que fique claro que só não divulgamos por não termos mesmo a informação. Apoiamos toda e qualquer manifestação cultural, e isso inclui o Funk", disse por telefone.
A reunião foi realizada na sede da Secretaria Municipal de Cultura - Cabo Frio com os representantes da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro (Superintendência de Cultura e Sociedade) e (Gerente de Culturas Urbanas) mais artistas locais sobre o Edital .

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O produtor de eventos, Luizinho Viana,  nascido em Búzios e morador do Capão, lamenta que não tenha havido divulgação do edital  pela Secretaria de Cultura do município, " trabalho com evento e sei que o Funk em Búzios é do gosto da grande maioria do público. Claro que se houver incentivo do Poder Público aos poucos os talentos sairiam do anonimato. E novos talentos surgiriam constantemente. Se eu tivesse tido essa informação teria participado como produtor", opinou o jovem buziano responsável por divulgar MCs de nossa região que estão ganhando o Brasil. Entre eles o Mc  Falzin , Caju , Gávea e Lc, todos de Cabo Frio, "  Aqui em Búzios todos que tinham sumiram por falta de oportunidades", lamenta.

O professor Fábio Batista (Fábio Emecê), que também é conhecido por seu trabalho como rapper e hoje é superintendente de Igualdade Racial em Cabo Frio, explica: "Existe uma demanda regional de produtores, artistas e fomentadores que podem ser beneficiados com o edital, sem discussões sobre valoração de cultura a ou b, se é um benefício, os atores tem que usufruir. porque é uma produção consolidada nas periferias cariocas. Já interfere direto na maneira de ser e agir das pessoas então precisa ser fomentada. O preconceito sempre rola com relação a 'produtos via agentes periféricos'. Mas tem um porém, quem disse que o preconceito impede a produção? Nunca impediu e não vai ser agora. O edital é uma oportunidade".

Houve um edital como esse em 2011 em que se editou  o livro 101 Funks Que Você Tem Que Ouvir Antes de Morrer, do jornalista Julio Ludemir e o documentário do cineasta Marcelo Gularte "Magalhães, Uma Lenda Viva do Funk".

* Em 2009   por decreto tal assinado pelo governador Sergio Cabral o Funk passa a ser oficialmente patrimônio cultural do Rio de Janeiro.


Matéria publicada originalmente em O Perú Molhado 









4.10.13

O Perú Molhado em Japonês


Direto para a convenção e Minamata


 Edição especial do Perú que está indo hoje para o Japão juntamente com o guru do jornalismo inusitado Marcelo Lartigue e sua intérprete Chikako, especialmente para a Convenção de Minamata. Tem textos de Arthur Verissimo ( Trip ), Ancelmo Gois - O Globo, Arnaldo Cesar Coelho ( Rede Globo ), Raul Silvestre ( veterano do jornalismo, que já esteve na Manchete e Globo), Sandro Peixoto ( repórter e cronista de Búzios, por 12 anos foi repórter do Perú) e Victor Viana, que sou apenas eu, e muito mais!

Leia ( se puder ) a edição em japonês

Marcelo ( editor do Perú ) e sua interprete Chikako  esperando o voo 
Ancelmo Gois de O Globo escreveu para essa edição 
Raul Silvestre, veterano que já trabalhou na Manchete e O Globo também participou 
O repórter da Trip e de tantos outros veículos de comunicação Arthur Veríssimo 

30.9.13

Búzios: Após polêmica do rejunte Rua das Pedras poderá ser tombada


Indicação do legislativo depende de aprovação do prefeito André Granado

Victor Viana  @VianaBuzios 
Matéria publicada originalmente em O Perú Molhado 


Após toda a discussão causada pela iniciativa da Secretaria de Obras e  Serviços Públicos de Armação dos Búzios  de rejuntar com cimento a Rua das Pedras, há cerca de 40 anos uma atração turística do balneário e considerada uma símbolo da cidade, ela poderá ser tombada como patrimônio municipal.  A proposta partiu do legislativo municipal através de uma indicação feita ao prefeito André Granado(PSC) pelo vereador Messias Carvalho (PDT), " eu já havia alertado o prefeito sobre o cuidado em situações inerentes a identidade buziana. Falei com ele para ter cuidado nessas questões. Foi assim com a SEB, com os pescadores no recolhimento de redes e barcos de pesca e agora com o rejunte da Rua das Pedras. Não foi por falta de aviso", referindo-se aos comentários de canto a canto da Cidade em relação a obra que chegou a rejuntar 100 metros da Rua das Pedras.

A indicação foi aprovada por unanimidade no fim da tarde da última terça-feira (24) pela Câmara de Vereadores. O executivo recuou da decisão e o rejunte da Rua das Pedras foi paralisado.
O rejunte foi paralisado/ Foto de Victor Viana 

A indicação está amparada no artigo 93 do Plano Diretor de Búzios que prevê a preservação de locais como a Rua das Pedras: " patrimônio histórico e cultural do Município, a ser preservado, por serem testemunhos mais antigos da história do lugar e importantes ao resguardo da identidade e da memória da população local, e, ainda, pelas características arquitetônicas...”.

O arquiteto Otávio Raja Gabaglia ( Otavinho), arquiteto que participou do projeto da Rua das Pedras e ex-secretário municipal do Governo Toninho Branco, disse que seu celular não parou de tocar quando começaram  as obras de rejunte do piso da Rua das Pedras e, em declaração dada ao Perú, classificou a obra de assustadora  O ex secretário de Turismo de Búzios no governo Mirinho Braga, Isaac Tillinger, estranhou o fato de que, segundo ele, ninguém foi consultado.

As redes sociais da Internet foram invadidas pelos protestos contra a desfiguração da Rua das Pedras, a mais importante de Búzios e uma das mais famosas do país.  O prefeito André Granado (PSC) cancelou a obra e preferiu não falar a imprensa sobre o assunto que foi noticia em sites e jornais de todo o país. No entanto o vice prefeito e secretário de Meio Ambiente de Búzios, Carlos Alberto Muniz (PT), explicou que a obra faz parte do Plano Verão de Búzios, "o objetivo é atender ás solicitações das mulheres e idosos que se acidentavam ao andar na Rua das Pedras á noite", e opinou: " Acredito que a gritaria parta da turma da oposição que bate em todas as ações do governo".

 A  discussão sobre a obra polêmica chegou a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) onde o deputado Janio Mendes (PDT) apresentou projeto de eli que determina o tombamento da Rua das Pedras como patrimônio estadual. 




28.9.13

Golfinho encalhado em praia de Búzios

Golfinhos encalhados em Manguinhos 
Hoje (28), por volta das 17h30, um golfinho encalhou na Praia de Manguinhos, em Búzios, Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Um jovem da cidade e um pescador tentaram de todas as maneiras levar de volta ao mar o animal, que aparentava cansaço e retornava sempre a areia. Algumas pessoas ligaram para os bombeiros mas os mesmos até o inicio da noite não chegaram ao local. Há informações de que em alguns dos atendimentos via telefone informaram que já tinham ido a praia e não encontraram o golfinho. No entanto registrei em videos e fotos o fato.

Por que isso pode acontecer? 

Existem várias hipóteses para explicar essas verdadeiras tragédias ecológicas, que vitimam muitas baleias e golfinhos todos os anos. As causas vão desde problemas fisiológicos nos próprios animais, que poderiam prejudicar seu senso de orientação, até interferências provocadas pelo meio ambiente, como mostra a tabela abaixo. "Em espécies gregárias (que vivem em bandos), como golfinhos, botos, baleias-piloto e cachalotes, classificados como odontocetos (‘com dentes’), o encalhe de um animal doente ou desorientado pode levar o grupo todo a encalhar junto, já que esses indivíduos não são abandonados por seus pares.

25.9.13

Búzios: Raul Madeira de Lei

Uma pizzaria onde tudo pode ter começado

Por Victor Viana
Praia da Armação  - Fonte: Blog BossaBuzios 

Houve um tempo em que Búzios ainda não era o que é hoje, era outra coisa ou muito do que viria a ser. Entre tantas pessoas e estabelecimentos que não podem ser esquecidos (carregam com sigo os elementos que constituem um pouco do que somos) está a Pizzaria do Raul, mesmo Clemente ( Magalhães ) tendo afirmado que a fama não faz jus a qualidade da pizza, " era muito ruim a pizza que serviam lá", disse. Otavinho (O arquiteto Otavio Raja Gabaglia) afirma o contrário e faz uma revelação: " A pizza era ótima, inclusive eu era o Pizzaiolo".

A historia oral (que agora ganha o devido registro) conta que existia em Búzios, a cerca de 50 anos, o Armazém do Maia ( um Secos e Molhados, como se dizia ) onde os buzianos e visitantes comiam o melhor PF (Prato Feito ) do mundo. Dizem que era servido de garoupa a lagosta,"eu era garoto e comia sempre esse PF lá no Maia. Então um dia fui visitar minha avó, que tinha entrado no convento, após o falecimento do meu avô, para ser freira carmelita em Petrópolis e passei junto com um primo em um boteco  e pedimos um Prato Feito, foi ai que descobri que com garoupa e lagosta só em Búzios", conta Otavinho.

Mas vamos a tal Pizzaria do Raul
Praia da Armação, próximo ao Colégio Estadual João de Oliveira Botas. (Orla Bardot) - O srº é Luiz Aspino, (Luizinho), pai do Aristonil, Yola, Ilma, Wilma, Jarbas...!
Morava em Búzios o Juca Melo Machado que arrendou o prédio onde era o Armazém do Maia , ficava ali onde hoje é a entrada da Rua das Pedras, e chamou o  Raul Madeira de Lei para ser seu sócio.  Quem é o Raul?  Quem o conheceu conta que Madeira de Lei era mesmo seu sobrenome e que era um tipo fortão bronzeado, andava sempre de sunga e tamanco de madeira. Era um boa praça. "Os dois me chamaram para fazer o projeto da pizzaria. Eu fiz um projetinho simples como era Búzios naquele tempo", nos conta mais uma vez Otavinho que também explica como se tornou o pizzaiolo da casa: "O Juca morava onde hoje é a casa da Abigail ( Vasthi Schilemm, artista plástica ) . Arrumou com uns amigos lá em São Paulo e fui pra lá. Cheguei cedinho, aprendi a fazer forno de pizza e a esticar a massa, essas coisas. Quando voltei sentamos o pau na obra, todo mundo era duro, a gente não tinha grana,  a verdade era essa. O Juca tinha um pouco mais de dinheiro, mas não era tanto, e a obra não ficou pronta porque acabou o dinheiro mesmo. O Juca, muito esperto me ofereceu  20% dos lucros, eu odeio sócio, mas eu não tinha mais saída ele me devia uma grana. Inauguramos a obra e foi um sucesso social na cidade".

Os remanescentes desse tempo perdido de Búzios contam que havia dois pontos principais para se tomar uma porre, durante o dia no Restaurante do Pacato e a noite na Pizzaria do Raul, lá era o fervo. A fila para entrar contam que era enorme. Todo mundo queria ir a pizzaria, até porque não tinha muitos lugares para se ir naquele tempo em Búzios. Até a visita do prefeito de Cabo Frio daquela época ( Búzios ainda não era emancipada), Antonio Castro, a pizzaria recebeu, " Me lembro do Juca e o Raul fazendo uma corrente na porta e nossas mulheres lavando o chão lá dentro, era um festa. Aquele era um tempo muito bom, eu passava o dia de páreo, muito feliz e sempre bêbado", conta com ar saudosista o arquiteto Otavinho, que também explica  como funcionava sua "sociedade" na Pizzaria do Raul: " Juca morava ao lado, próximo a pizzaria, passava na minha casa e dizia: 'Otavinho, vai lá na minha casa', eu com o copo na mão dizia que não ia. Mas então ele insistia e então eu ia de copo na mão mesmo. Ele arrancava um bolo de dinheiro e me dava, 'esse aqui é os seus 20% (risos)', e eu dizia: 'Mas agora? Eu não tenho bolso'. Então eu levantava o banco do Gurgel, que na época já tinha capota, e guardava o dinheiro e continuava o porre. Depois ele achou que eu estava ganhando muito e disse: 'Agora vai ganhar só10%', eu disse que estava bom, fazer o que?  Um dia ele esqueceu do resto e o os 10% sumiram também, assim era a vida em Búzios". 

O sucesso da pizzaria foi tanto que  o terceiro sócio, que dava nome ao estabelecimento, ficou muito otimista a ponto de abrir uma cadeia de pizzarias com o nome "Raul Madeira de Lei" no Rio de Janeiro. Como não entendia nada de administração, era o sócio carismático apenas,  faliu.  Outro que lembra com saudade da pizzaria e dessa Búzios antiga é o Zé Itajay, do Sushi Jardam, " O Raul era um cara trabalhador, gente muito boa, conheci ele em Nova York. Mas da pizza não posso dizer nada porque  eu não como pizza, mas ele fazia um peixe que era muito bom. Na verdade tudo era muito bom naquele tempo, hoje Búzios é uma merda, cheia de pobre com cara de bunda e argentino mendigo", contou.

Aproveitando a oportunidade e perguntando se foi ai que começou a tradição gastronômica de Búzios, Otavinho conta que anterior a Pizzaria do Raul existiu um pequeno restaurante em uma casinha branca, feita por dois arquitetos que não respeitavam o estilo Búzios que nascia, porem  dizem que tinham bom gosto. O restaurante  era administrado por um casal de franceses, "a francesa era linda, marcou minha memória pela grandiosa beleza e por faltar  um dente em sua boca. Isso era chocante pra mim",  assim Otavinho finalizou o papo sobre Búzios antiga.

Matéria publicada originalmente em O Perú Molhado






24.9.13

Os livros da minha estante 1


A poesia completa de Murilo Mendes           


É conhecida sua grandiosa parceria com o poeta Jorge de Lima em Tempo e Eternidade (1935).

Murilo Mendes (1901-1975) nasceu em Juiz de Fora (MG), onde fez os estudos secundários. Frequentou o Curso de Direito, mas não terminou. Exerceu vários cargos antes de se mudar para Roma em 1957. Lá trabalhou como professor de cultura brasileira, ensinando em vários países da Europa. Seu nome foi recorrente durante anos nas crônicas literárias e europeias.
Sempre foi um poeta fiel aos seus princípios, sem obedecer rigidamente a nenhum estilo, mesmo tendo sofrido influências do Modernismo. O estranhamento que sua poesia provoca deve-se à linguagem fragmentada, às imagens insólitas, à simbologia própria que apresenta e a visão messiânica do mundo.

Murilo parte do princípio de que o mundo é o próprio caos para poder, a partir daí, recompor a ordem das coisas à sua visa surrealista. Desta forma, é desarticulando a ordem convencional, que o aproxima de Drummond, que o poeta assume o primeiro passo para reconquistar o paraíso perdido que, no dizer de Bosi (1994) “não terá o ar devoto de velhos ritualismos, mas se abre aos olhos do poeta como um universo aquecido pela Graça”.

Sua obra tem sido pouco lida nos últimos anos, mas isso não é motivo para desmerecer sua obra. É devido à difícil leitura, pois sua poesia é fruto das várias experiências do autor: sua conversão ao catolicismo, o surrealismo, a poesia social, o experimentalismo barroco e o neobarroquismo.



Um de seus pequenos poemas onde chamou de reflexões e ia numerando eles: Reflexão nº1
Murilo Mendes

Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio Nem ama duas vezes a mesma mulher. Deus de onde tudo deriva E a circulação e o movimento infinito. Ainda não estamos habituados com o mundo Nascer é muito comprido.

23.9.13

Bienal de Artes em Búzios (Bab)

 Ao nosso redor, dentro de nós 

 Acontece em Búzios do dia 07 a 27 de novembro a VI Bienal de arte contemporânea, também conhecida como BAB, com curadoria de Armando Mattos, que transforma a cidade em um cenário vivo de experimentações artísticas que geram novas e surpreendentes experiências.

A BAB de 2013 tem como temática a relação global do turismo como uma atividade que nos conecta com o mundo, o que é bem adequado a uma cidade que é um destino turístico que agrega pessoas de diferentes partes do globo.

Concretamente o tema visa atuar em meio aos campos da saúde e da cidadania no território da escola com competências específicas nos princípios da biologia cultural, do afeto catalisador e do despertar da consciência crítica.

 A BAB conta com intervenções e instalações de artistas reconhecidos internacionalmente na cena contemporânea que ocuparão a cidade fazendo dela uma exposição viva e interativa em que a cidade, seus moradores e visitantes fazem parte da ação.

 É um projeto de curadoria de arte que privilegia a ocupação dos espaços públicos por meio de instalações, performances, intervenções e uso de mídias audiovisuais. Para participar basta estar em Búzios nesses dias.

 Já estão confirmados nomes como: 

 Peu Mello, Maria Mattos, Guga Ferraz, Leo Ayres, Alexandre Mury, Michel Groisman, Julio Lucio Martin, Jarbas Lopes, Opavirá, Coletivo Gráfico, Derlan Almeida, Joana Cezar, Jesús Hder-Guero, Tatiana Grinberg, Rodrigo Villas Bôas, Panmela Castro, Larissa Jordam, Jinson Vilela, Vitor pordeus,

Quando eu for bastante velho

espero sentir saudades 

Por Victor Viana 

Se eu já fosse bem velho, não gostaria de poder sentir saudades de alguma aventura que não fiz. Se eu já fosse bem velho não quereria me arrepender do que não fiz.  E poderão ser tantas coisas, tantos nãos dados à vida por medo de sofrer, ser bobo, não parecer adulto e bem sucedido em minhas empreitadas.

Espero, quando for bem velho, ter saudades dos muitos banhos de mar dos anos que morei em Búzios, assim como hoje tenho saudade dos muitos banhos de cachoeiras que tomei quando morei em Cachoeiras de Macacu. Espero ter saudades dos eventos fantásticos nos quais acreditei que seriam um sucesso e, no entanto fracassei, mas todos estiveram de prova que eu tentei.

Quando eu for bastante velho, de forma que meus dois filhos já crescidos tenham que me apoiar para que fique de pé, eu sinta muitas saudades de todo o tempo que com eles eu gastei andando a pé pela extensão de uma rua só pelo prazer de andar em uma bela tarde qualquer. Espero sentir muita saudade de ter rido tanto até mostrar os dentes que estando agora velho eu certamente perdi, espero sentir, com todas as forças que ainda me restarem, sentir.

Quando eu for bastante velho quero mostrar as marcas e manchas do meu rosto realmente velho e dizer de boca cheia que eu me expus demais ao sol em algum verão década de 90. Que não suporto mais cerveja porque as bebi demais em alguns carnavais e outras festas mais. Certamente não sentirei falta das aulas da escola, mas sentirei tanta falta do tempo que passei matando aula.
Quando for bastante velho, quando eu for bastante velho... quero sentir saudades.


11.9.13

Um poema para as atuais manifestações

Poema bem apropriado as atuais manifestações
Poema de Caco Pontes em seu livro "Sensacionalíssimo" inspirado em manchetes de jornais e tabloides sensacionalistas ou " populares", como preferirem.

10.9.13

O Finale ( um poema de amor ant-romântico, ou não )


 Parte de “O Verde Livro Tosco”


Você vinha
Como quem
Não vinha

Beijando-me
Sem boca
Alito, língua
Saliva

Tentei te abraçar
Mas era feita
De fumaça

Me senti
Romântico e bobo

Acho que sofri

Meu coração de pomba
Sacoleja solitário
No grande espaço
Da minha  caixa
                            Torácica

  
Não posso afirmar que houve-se um repúdio ao Romantismo, mas talvez um desinteresse consciente. Digo consciente, porque éramos todos ligados a Barra de São João, e na maioria crescemos em torno da estatua de Casimiro de Abreu que fica na praça que leva o nome de um de seus poemas “ As Primaveras”.  E por sermos muito jovens o Romantismo ( talvez nem tanto os poemas) chamava a atenção pela vida de busca por aventura, mistérios e amores....afinal esses poetas eram na maioria também adolescentes como nós.

Mas se gostávamos não expressávamos, e assim criticávamos. E virávamos as costas, não totalmente srrsrs.  Eu adorava escrever poemas como esse, onde brincava com o Romantismo.  É um desafio escrever em português sobre amor sem traços de romantismo, é quase uma vaidade.  Aqui é clara a influência de Drumond e sua poesia calcada no tédio da vida. A vida de um jovem na Região dos Lagos na quele tempo  ( ao menos a minha) era meio tediosa, um grande inverno sem grandes divertimentos, poucas mulheres disponíveis e uma sofrida espera pelo verão redentor que trazia mulheres em massa, na maioria superficiais, alem de apurrinhantes festas regadas a Axé Music e Funk Carioca.  Isso legitima o tédio amoroso desse poema.  As meninas que chegavam, e despertavam tanto furor juvenil no coração e no sangue, logo partiam para suas cidades, e ficamos nós tentando encontrar alguém que preenchesse o vazio grande de um peito com  um pequeno coração de pomba dentro.