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20.6.11

Mais uma historia da tal Búzios Antiga - por Nelson Motta















ESPERANDO BARDOT - por Nelson Motta
Naquele tempo uma viagem a Búzios era uma aventura que exigia grande paciência, disposição e coragem. Mas o tempo estava do nosso lado, éramos jovens e cheios de energia, era sexta-feira e ficamos dançando chá-chá-chá e hully-gully no Le Bateau até as tantas, quando meu amigo Ratinho propôs a grande aventura. Entusiasmados, decidimos botar o pé, ou melhor, o fusca, na estrada.

De Copacabana fomos até o cais da Praça Quinze e entramos numa longa fila de carros que aguardavam a chegada da barca que nos levaria a Niterói. Depois de uma longa espera, perdemos a vaga por um carro de diferença, tivemos que esperar a seguinte. Uma hora depois, visivelmente alcoolizados, atravessávamos lentamente a Baia de Guanabara sob o céu estrelado, um barco apitava na noite, as luzes da cidade se afastavam como as pérolas de um colar. Com o vento no rosto, cantávamos os novos sucessos da bossa nova que tocavam no radio do carro, João Gilberto, Sylvinha Telles, Nara Leão, não poderia haver trilha sonora mais adequada.
De Niterói a Cabo Frio, noite a dentro, o fusca azul enfrentou galhardamente uma pista estreita precariamente asfaltada, cheia de curvas perigosas, bufou e resfolegou numa serra, cruzou pontes balançantes e duas horas e meia depois chegamos. Quase. Com o dia já amanhecendo entre as salinas tomamos um café no posto de gasolina na entrada de Cabo Frio e pegamos o caminho para o paraíso.

A estrada para Búzios era pouco mais que uma picada aberta no mato, esburacada e poeirenta. Em mais uma hora estaríamos lá, qualquer sacrifício seria bem-vindo diante da possibilidade de ver Brigitte Bardot de perto. Estrela máxima do cinema francês, deusa do sexo que povoava nossas fantasias (e do mundo inteiro), Brigitte veio para o Brasil com o namorado Bob Zagury (um argelino de Ipanema que orgulhosamente a imprensa chamava de "franco-brasileiro") e se apaixonou por Búzios, uma vila de pescadores onde ninguém a conhecia. Para ela o Taiti era aqui. Para nós ela era a encarnação da beleza, da liberdade e do desejo. E Búzios, bem, era uma ruazinha de pedras em frente ao mar azul, com algumas cabanas de pescadores e mais nada. Não tinha luz, gás, água ou telefone. Mas tinha B.B.!

Onde ? Perguntamos a um pescador e ele apontou uma casa de madeira num canto da praia. Subimos numa pequena elevação e nos colocamos atrás de uma grande arvore, em posição privilegiada para a nossa delicada missão, olho vivo e faro fino. Ficamos ali de plantão, caindo de sono, até meio dia, quando finalmente as janelas verdes se abriram e vislumbramos uma cabeleira loura passando pela sala. Uma bossa nova começou a tocar na vitrola.
Segunda-feira na faculdade ninguém vai acreditar. A porta se abriu e, finalmente, em todo seu esplendor, Ela, bronzeada, cabelos ao vento, enrolada em um pano estampado.
Inundada de luz e alegria, abriu os braços para o sol e, num movimento rápido, desenrolou o pano do corpo e lançou-o ao vento e nua como em " E Deus criou a mulher " correu para o mar azul diante de nossos olhos pasmos e de nossos corações disparados. Na faculdade ninguém acreditou.
Quarenta anos depois, sai de Búzios há menos de duas horas, vim escrevendo esta história no laptop e já estou chegando em Ipanema.

 Publicado em 3 de abril de 2002 no Jornal do Brasil e o Jornal O Globo nas comemorações dos 50 anos do BNDES -

2.5.11

O escritor e jornalista Nelson Coelho elogiou nosso blog e a matéria sobre o Funk Carioca! Quanto Orgulho!



Conheci a obra do Nelson Coelho quando tinha 17 anos e des de então sua literatura tornou-se para mim uma grande referencia tanto como escritor como também ser humano. Eu quando li pela vez o Nelson não tinha desejos de ser repórter ou redator, queria ser escritor mas me achava  incapaz. Então li o louco "Nas Pernas do Longo Rio" e minha vida deu um giro que colocou de ponta a cabeça minhas crenças e minha maneira de ver e fazer arte. O elogio por parte desse grande jornalista- que hoje não exercer a profissão e usa o e-mail de sua esposa, a condessa Aycilma de Sesti Coelho- foi simples, mas me encheu de orgulho: "Excelente. Melhor impossível, profissional. Nelson" Uma vez ele também elogiou minha poesia : " Versos rápidos, emoções rápidas e imagens rápidas. Gostei" 
Mestre Nelson Coelho 






Nelson Coelho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Nelson Coelho (Monte Santo de Minas, 1928) é um romancista e contista brasileiro, tendo também trabalhado como jornalista e crítico de arte.

Estreou na literatura em 1952, com “Contos Menores”. O crítico Sérgio Millet, criador da Semana de Arte Moderna de 1922, com Mário de Andrade e Oswald de Andrade, escreveu sobre esse livro no jornal O Estado de São Paulo: "Com sua técnica inédita em nossa ficção, seu surrealismo surpreendente e humor voltairiano..."

Saudado pelos críticos, na companhia de Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles e Dalton Trevisan, como um dos melhores contistas brasileiros, Nelson Coelho já publicou doze livros entre contos e romances.

Idealizou e organizou, em 1956, o I Congresso Brasileiro de Contistas.

Como jornalista, foi por dois anos correspondente do Jornal do Brasil em Nova Iorque, editor da Revista Senhor e colunista da Folha da Manhã. Foi crítico de Artes Plásticas e júri de seleção e premiação da Bienal de São Paulo.

No período em que foi jornalista em Nova Iorque (1956-58) cursou Literatura Comparada na New York University. E residindo em Londres(1967-68), estudou Psicologia na London University.

É casado com a Condessa Aycilma de Sesti.

Em 2009, Nelson Coelho lançou seu site pessoal,[1] no qual passou a disponibilizar, gradualmente, seus livros para download gratuito.

Seus livros figuram entre as mais profundas obras do pensamento moderno brasileiro, tendo influenciado muitos escritores, entre eles o grupo fluminense do Ant movimento Nova Ordem [2] e a linha editorial do jornal e blog O Curinga de Búzios [3] onde está sendo homenageado com artigos, crônicas e entrevistas que visa dar uma contribuição a literatura brasileira registrando mais informação sobre este autor.


31.1.11

O JB “Digital” e seus blogueiros que não sabem blogar.

O Presidente Lula lamentou o fim desse JB


 Foi de uma hora para outra. Um dia de repente o JB, o jornal impresso mais antigo do Brasil encerrou suas atividades. Uma semana antes o Perú Molhado, o jornal de interior a mais tempo em atividade no Brasil,  anunciava que sairia encartado no JB. Acho que foram pegos de surpresa também.  Então com grande alarde iniciaram-se os comentários de que o JB seria agora totalmente digital.

E realmente chegou o dia e JB impresso chegou ao fim e o da Internet começou, teve milhares de acessos em um dia.  Muito entusiastas  cantaram vitoria do digital sobre o impresso. Eu olhei descrente aquilo e comentei com amigos que era apenas curiosidade das pessoas. Não deu outra. Tá lá o JB! De digital não tem nada. Mantém no Maximo um jornalismo online- que já nasceu morto-  colando matérias do Portal UOl.

Mas o mais cômico é ver a lista de blogs do JB.  Se quer ser digital, blog tem que ser ponta de lança.  A maioria dos blogs do JB nem são atualizados com freqüência. O mais atualizado, por ser feito por vários jornalistas, é  o “ Coisa de Política” – com veteranos do jornalismo-   que sem saber fazem um blog colaborativo, mas não vão muito longe porque não respondem comentários e nem inserem ou fazem uso deles para criar as matérias do blog. Estão blogando como se escrevessem carta, quando blogar é manter conversa. Algumas iniciativas interessantes o JB está mantendo como disponibilizando todo o arquivo do século XX gratuitamente a todos na internet por exemplo. Mas para ser digital, falta pessoas, mas principalmente conhecimento por parte dos envolvidos sobre rede social - não confundir com Mídia Social- e espírito colaborativo. 

Os outros blogs; é lastimável, são mantidos por pessoas sem um mínimo de domínio sobre os os mecanismos da blogsfera. Vão lá  e escrevem uma matéria sobre o assunto de suas antigas colunas no impresso, e esperam que isso será visto como uma blogagem. Sugestão: Porque não contratam – ou propõe uma permuta- a  blogueiros reconhecidos para se hospedarem no site do JB? Interney, Eu vi o Mundo, Rebolinho, Mundo Gamp. Talvez até mesmo os maiores blogueiros do universo como O Curinga de Búzios, Bloco do Clovis, Anjo Vadio em Búzios Ravi Leaks entre outros da Região dos Lagos aceitassem dar um gás no JB.


Victor Viana @VianaBuzios